Jacqueline Sales com crianças na Índia

Depois de conviver com a realidade de órfãos na Índia ela quer despertar outras pessoas que possam fazer a diferença no mundo

Por Ananda Ribeiro

Jacqueline Sales, de 31 anos, é de Belém do Pará. Jornalista, escritora e missionária cristã, ela uniu seus sonhos na esperança de mudar realidades. Escreveu um livro, “O Que Meus Olhos Viram”, depois de viajar para uma cidade indiana chamada Bodhgaya, onde junto com uma amiga morou por 11 meses na Casa Resgate, um local que abriga filhos dos chamados Dálitis – os “intocáveis” – semi-órfãos e órfãos entre 6 e 15 anos. Agora, Jacqueline corre atrás de apoio para conseguir publicar seu livro.

 Tudo começou quando, há muitos anos, ela leu o livro “Índia, a Fronteira do Sonho”, do Pr. Robson Oliveira. “Senti que Deus estava me chamando para conhecer o trabalho dele com crianças em risco na Índia, mas tive que passar por vários processos. Apenas em 2014, quando o Pr. Robson veio cumprir a agenda dele em Belém, que conversamos e percebemos que meu tempo de ir estava perto”, contou. Em fevereiro de 2015, ela e sua amiga Leane partiram para a região norte da Índia, Bodhgaya, em Bihar, uma cidade turística por ser considerada o berço do budismo, recebendo turistas do mundo inteiro.

 Segundo Jacqueline, apesar de ter um turismo forte, a cidade é pouco desenvolvida. “A impressão é que parou no tempo”, afirmou, “porque a tecnologia é pouco presente nos serviços e ainda é regalia para poucos, já que a população é muito pobre, composta em sua maioria por Dálits”.

Casa Resgate

As crianças que vivem na Casa Resgate são tiradas de situações de risco como prostituição e tráfico infanto-juvenil, trabalho infanto-juvenil, entre outras. Quando são aceitas pela Casa, elas recebem uma nova oportunidade e ficam até completar 18 anos, “onde recebem todo amparo, com alimentação – de uma refeição passam a ter cinco refeições por dia -, escola, vestimentas, saúde, além de conhecerem a Jesus e serem ensinadas e discipuladas por obreiros indianos e missionários”, explicou Jacqueline.

“O Que Meus Olhos Viram” é resultado dessa experiência que a escritora teve no convívio com as crianças. Ela disse que descreveu “com detalhes os momentos mais marcantes da viagem, já que através da minha percepção compartilho sobre a cultura, cotidiano e desafios que nós, como missionários, enfrentamos no campo. Como jornalista procurei compartilhar uma Índia desconhecida para muitos, já que a grande mídia só mostra os pontos turísticos e atividades das quais apenas os mais ricos desfrutam”. A missionária paraense quer mostrar que os Dálits também são pessoas felizes e que sabem viver e compartilhar o pouco que têm.

Transformação

Uma das histórias que marcaram Jaqueline foi a do menino Rahul. “Ele tinha epilepsia e, quando chegamos lá na Casa, ele não respondia e nem interagia com as outras crianças. Ficava sentado em uma cadeira, babando. Com muito amor, desenvolvemos um relacionamento de confiança e passamos a ver uma melhora notável em sua qualidade de vida, porque ele aprendeu a usar o banheiro, lavar as roupas e estender no varal, começou a comer sozinho e lavar suas louças, cantar e dançar nos cultos. Sem dúvida essa foi a maior manifestação do poder de transformação de Deus na vida dele”.

Reação

A motivação de Jacqueline ao escrever sobre sua experiência não é apenas compartilhar o que viveu. Assim como foi despertada pela leitura de “Índia, a Fronteira do Sonho”, ela quer “gerar o desejo no coração dos leitores em buscar suas próprias experiências, porque há muito o que ser feito, não apenas na Índia, mas em muitas parte do mundo”, disse. Ela pretende voltar a Índia com seu noivo, para que possam desenvolver outros trabalhos por lá. O livro já foi concluído, mas a jornalista ainda não conseguiu o valor necessário para publicar a obra e está em busca de pessoas ou organizações que possam ajudá-la a levar esse sonho a diante. Quem desejar fazer parte disso, pode entrar em contato pelo e-mail jacquelinemissao@gmail.com.