Grupo viaja quase três mil quilômetros para atender comunidades ribeirinhas no Amazonas 

Por Gina Mardones

O barco desliza calmamente sobre as águas do Rio Solimões enquanto os voluntários, espalhados, descansam exaustos, porém realizados por mais uma missão cumprida. É assim que termina mais uma viagem do Barco Hospital Metodista, depois de uma semana de atendimentos nas comunidades ribeirinhas.

No mês de agosto, 22 voluntários – 11 do Paraná e 11 do Rio de Janeiro – entre médicos, dentista, educador, advogado, enfermeiros e outros, deixaram casa, família e trabalho para atender cinco comunidades ribeirinhas da região do Alto Manaquiri, Estado do Amazonas. Ao todo foram realizados aproximadamente 500 atendimentos médicos e odontológicos, além de atividades pedagógicas com crianças, palestras sobre higiene bucal, sexualidade e orientações na área do direito previdenciário.

Esta não é primeira vez que uma equipe se mobiliza para fazer a missão. O médico Anderson Urbano, por exemplo, voluntariou-se pelo segundo ano consecutivo. “Muitos podem me questionar para quê ir tão longe para ajudar, mas acredito que na minha comunidade local existam muitos projetos para dar suporte e a Amazônia é um lugar carente de atendimento médico”, argumenta.

Enquanto os serviços eram prestados, a educadora infantil Danielle Califani coordenava atividades com as crianças, como contação de histórias, teatro e música. “Trabalhar com as crianças ribeirinhas é sempre um desafio, principalmente para prender a atenção delas. Como são muito livres, gostam de nadar, correr e subir em árvores. Procuramos nos adaptar à cultura deles, e não o inverso.”, afirma Danielle.

Na pequena Piauí, uma das comunidades visitadas e que fica há mais de 12 horas de barco de Manaus, a professora Jéssica Oliveira Silva, 26, sorri ao receber algumas das doações para a escola. Jéssica conta que o acesso dos moradores a serviços como saúde e assistência social é sempre complicado. Para ser atendido no município mais próximo, eles precisam percorrer um trajeto por terra que pode levar até duas horas. “Para nós é uma imensa alegria quando o barco vem, porque para a gente é muito difícil receber toda essa atenção. Aquilo que muitas vezes o poder público não oferece, a missão consegue, de certa forma, suprir”, relata a professora.

A missão do Barco Hospital impressiona, não apenas pelo objetivo, mas também pela a chance dos voluntários vivenciarem uma experiência social completamente diferente da realidade de origem. Para a fisioterapeuta Larissa Oliveira, foi a oportunidade de conhecer as necessidades de um povo carente de atenção em vários sentidos. “Além de nosso trabalho, conseguimos estabelecer laços de amor, solidariedade, afetividade e plantar uma sementinha de novos sonhos no coração daquela gente.”

Enquanto o barco retorna, o dentista da equipe do RJ, Lucas Teixeira Bahia, contempla a paisagem. Lucas foi o único profissional da odontologia desta missão e sua jornada chegava até 10 horas diárias. Mas apesar do trabalho intenso, o dentista afirma que jamais esquecerá os lugares e as pessoas que conheceu. “Sempre quis fazer algo que marcasse minha vida profissional, principalmente sendo da área da saúde e, sabendo dos problemas de nosso país, sabia que seria uma das experiências mais incríveis da minha vida. Não existem palavras para descrever esse trabalho. Só existe uma maneira de sentir o que eu senti: indo”, conclui.

Trabalho de quase duas décadas

O Barco Hospital Metodista é um projeto vinculado à Igreja metodista do Brasil e tem por objetivo levar atendimento médico, odontológico e suporte educacional, social e espiritual às comunidades indígenas e ribeirinhas do Amazonas.

Atuante há 17 anos, o barco percorre duas rotas estabelecidas, de fevereiro a meados de setembro: região de Autazes (comunidades indígenas) e região do Alto Manaquiri (comunidades ribeirinhas). De acordo com o coordenador do projeto, Pr. Max Maia, anualmente são atendidas cerca de 1000 famílias, e nos meses de seca (setembro a janeiro) são feitas as manutenções necessárias da embarcação.

Para participar é preciso montar equipes de até 20 pessoas ou se encaixar em um dos grupos em formação. Cada voluntário deve arcar com os custos da viagem, isso inclui passagem e uma taxa de custo do barco, que cobrirá as despesas referentes aos cinco dias de navegação como: três refeições diárias, pagamento da tripulação, translado do aeroporto até o barco e o combustível da embarcação.

Para mais informações acesse o página do Barco Hospital Metodista no Facebook ou entre em contato pelo email: barcohospitalmetodista@gmail.com.